Mostrando postagens com marcador animação. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador animação. Mostrar todas as postagens

29 abril - Mr. Prokouk Inventor (1949) - Karel Zeman



A rotina de trabalho do Sr. Prokouk é cansativa e penosa, por conta dos contorcionismos que ele precisa fazer para operar as máquinas. Depois do expediente, em sua casa, tenta inventar alguma coisa que lhe facilite o trabalho, mas por conta do cansaço, sempre acaba no sono, sonhando com miraculosos inventos e máquinas que atendem suas necessidades ao toque de um botão.
Uma tarde, ao sair da biblioteca de Patentes de inventos com um grande volume de livros, passa por um cercado alto, onde dois meninos tentam assistir uma partida de futebol. O encontro do Sr. Prokouk com esta insólita situação acaba por lhe dar a ideia tão necessária para que ele resolva de vez os problemas com as máquinas do trabalho.
Karel Zeman é um cineasta checo que ganhou fama ao misturar animação, feita com stop motion, com atuação de atores. As aventuras de Simbad e Viagem a pré-história, vistas em algum momento nas sessões da tarde, são alguns dos filmes deste que é considerado o Méliès da animação. O personagem Mr. Prokouk é o “ator” de várias curtas de Zeman que caiu no gosto popular em seu país e rendeu muita fama ao iniciante diretor.

Mr. Prokouk Inventor (1949)
Karel Zeman

19 abril - O congresso futurista (2013) - Ari Folman

 


Robin Wright interpreta ela mesma, como uma atriz problemática, com dificuldades de escolher bons papéis e com a carreira em declínio. Neste contexto recebe uma última oferta de Hollywood: Vender sua imagem, através de alta tecnologia, criando uma atriz digital idêntica a ela, para que os estúdios a usem em filmes escolhidos por eles. Robin tem um filho, Aron, que necessita de cuidados especiais, por estar perdendo a visão e a audição e uma filha adolescente, que a estimula na carreira. Sem muitas saídas, Robin Wright aceita ser escaneada numa última representação, sabendo que não poderá atuar novamente outra vez. Passados 20 anos, quando seu personagem digital já ganhou muita fama, Robin é a convidada com participação de honra, no Congresso Futurista, evento promovido pela indústria de entretenimento, onde será lançada uma nova droga que permite a qualquer um ser quem quiser.
O congresso futurista é mais uma inquietante de Folman que coloca em discussão limite entre realidade e ilusão. A partir da entrada da atriz no tal Congresso, o filme vira uma animação lisérgica, repletas de referencias ao universo pop, porém o futuro retratado por Folman é sombrio na medida em que este mundo glamoroso, colorido e virtual, simbolizando toda a possibilidade de felicidade humana acessada pela droga química, é a única saída e possibilidade de utopia de uma sociedade não virtual, falida sob o ponto de vista econômico e social.

O Congresso Futurista (2013)
Ari Folman
 



04 abril - Valsa com Bashir (2009) - Ari Folman



Ari encontra-se com um velho amigo que serviu com ele no exército israelense. O amigo conta sobre um sonho onde é perseguido por 26 cães selvagens e relembra uma noite onde, para invadir uma cidade com sua tropa, precisou sacrificar 26 cães que poderiam alertar o inimigo. A partir deste encontro, Ari, que não carregava lembranças da guerra, começa a ser atormentado por um flash back onde, na companhia de mais dois soldados, desembarca numa praia para uma missão em Beirute. Ari resolve procurar os outros dois soldados que estavam com ele no desembarque, para recuperar as lembranças deste período e tentar entender o que realmente se passou naquela noite.
Como se fosse um documentário, Ari (Folman), veterano da guerra do Líbano de 82, tenta resgatar os acontecimentos que marcaram o massacre de Sabra e Chatilla, onde refugiados civis, palestinos e libaneses, foram massacrados por milícias, em retaliação ao assassinato do presidente do país Bashir Gemayel. Embora o filme tenha um tom documental, expresso através das entrevistas dos soldados que estiveram com ele na guerra, é na construção de delirirantes situações provocados pelas lacunas da memória, assunto principal da animação, que Folman se diferencia ao tocar com sensibilidade em um assunto tão traumático para o povo Israelense.

Valsa com Bashir (2009)
Ari Folman

31 março - Dimensões do Diálogo (1983) - Jan Svankmajer



Cabeças rudimentares compostas por objetos variados como réguas, tesoura, frutas, livros, e outros elementos inanimados do cotidiano, entram em situação de encontro e canibalismo, tendo como resultado destes embates, sua própria lapidação e humanização. Numa segunda estória, um casal apaixonado, feito de argila, não encontra espaço para o fruto de seu relacionamento ocasionando sua desestabilização. A última narrativa comenta o ruído causado no dialogo quando os pontos de vista são diferentes.
Com o uso de uma boa animação stop motion, dimensões do dialogo apresenta três pequenas fábulas sobre as relações, pautando a necessidade do dialogo como aspecto maior da nossa vida.

Dimensões do Diálogo (1983)
Jan Svankmajer

09 fevereiro - Planeta Fantástico (1973) René Laloux

No estranho planeta Yagam, vivem os Oms, humanóides que são vistos como insetos e tratados como bichos de estimação pelos Draggs, uma raça gigante com pele azul e grandes olhos vermelhos. Os draggs estruturam sua sociedade avançada através da meditação e utilizam um sistema de aprendizado para seus filhos que é transmitido por aparelhos semelhantes a fones de ouvido. Durante uma brincadeira de um grupo de crianças Draggs, uma Oms não domesticada é morta deixando seu pequeno bebê, Terr, desamparado. O bebê acaba sendo adotado como o bicho de estimação de uma Draggs chamada Tiwa, e passa a observar e conviver com os costumes do povo dominador. A Draggs, já adolescente, se descuida e Terr, já também adolescente, foge levando com ele um dos fones de aprendizado. Durante a fuga, encontra outros Oms não domesticados que passam a usar o equipamento e adquirir conhecimento tão rapidamente, que se tornam uma ameaça para a sociedade dos Draggs.
René Laloux, apesar de utilizar uma animação que não é nenhum primor sob o ponto de vista da técnica, aliada a visível influencia do surrealismo, em especial Dali (o que também não é bom sinal) e do tom naturalista e por vezes obscuro, à la anos 70, toca num ponto sempre atual, a necessidade do conhecimento como elemento libertador do indivíduo, no caso, como quase insetos podem ameaçar o status quo estabelecido, decidir e modificar suas vidas.

Planeta Fantástico (1973)
René Laloux

11 de janeiro - Heavy metal - Universo em fantasia (1981) - Gerald Potterton


Animação, feita ainda no sistema tradicional, conta a estória de uma esfera de cor verde que atravessa os séculos e as cinco estórias presentes no filme. A tal esfera simboliza todo o mal existente na humanidade e ao seu contato qualquer um corre o risco de ser corrompido. Os desenhos, em tom realístico, apresentam tudo que alguém do sexo masculino e com idade mental em torno de 14 anos adoraria: mulheres peitudas e sensuais, guerreiros intergalácticos marombados, alienígenas malignos, batalhas entre o bem e o mal, tudo isto num roteiro bem previsível e embalado por uma trilha sonora de peso (heavy) com nomes como Black Sabath, Nazareth, Sammy Hager, Journey e outros...
Assisti a este filme na adolescência e revendo agora, percebi que algumas coisas tem data de validade (vencida) e devem ficar bem guardadinhas.


Heavy metal - Universo em fantasia (1981)
Gerald Potterton