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27 abril - Assassinos Por Natureza (1994) - Oliver Stone
O atormentado casal Mickey e
Mallory tem em comum o gosto pela violência e total desprezo pela vida humana.
Cada um dos dois, ao seu jeito é fruto de um sistema violento. Mallory, por
exemplo, era estuprada pelo pai sob a total omissão da mãe, Mickey por sua vez, amargou um período de prisão ao tentar tirar Mallory de casa. Enquanto
atravessam as estradas do interior dos Estados Unidos, vão deixando um rastro
de mortes bizarras e um único sobrevivente para contar o ocorrido. O casal perseguido
pela policia e em especial, pelo detetive psicopata Jack Scagnetti, ganha
repercussão nacional e acaba glorificado pela impressa sensacionalista comanda
pelo repórter de TV Wayne Galé.
Assassinos por natureza é o filme
de Oliver Stone que mais surpreende visualmente, por se apropriar de imagens de
vários outros filmes para construir verdadeiras colagens narrativas e por explicitar
uma violência domesticada, em situações que parodiam os não tão inocentes programas
de televisão (de desenhos infantis à la Tom e Jerry aos superficiais satycon
americanos). Além do rigor e da beleza da imagens, o filme tem na sua trilha
sonora mais um grande acerto com músicas de Leonard Cohen, Nine Inch Nails, Bob
Dylan e uma versão memorável de Sweet Jane, com os Cowboy Junkies.
Assassinos Por Natureza (1994)
Oliver Stone
20 abril - Os pássaros (1963) - Alfred Hitchcock
A partir de um inusitado encontro
numa loja de pássaros, Melanie Daniels, uma jovem de família rica, decide ir à
cidade de Bodega Bay, atrás de Mitch Brenner, um advogado solteirão que
procurava na tal loja, um presente para sua irmã de 11 anos.
Com a chegada de Melanie na
cidade, enquanto procura pela atenção de Mitch, alguns acidentes envolvendo
pássaros começam a acontecer. Tais acidentes logo aumentam em escala colocando
todo o lugar em estado de catástrofe eminente. Em meio aos conflitos familiares
gerados pelo embate entre Melanie e Lydia Brenner, a mãe de Mitch, eles tem que
proteger-se do ataque das aves ensandecidas e armar um plano de fuga.
O filme é maravilhoso sob o ponto
de vista de suas trucagens, considerando a época, e está cheio de momentos clássicos
do imaginário cinéfilo, como na cena em que as crianças correm na saída da
escola, enquanto são atacadas por pássaros ou quando Melanie, presa na cabine
telefônica, é atacada por gaivotas tendo ao fundo uma cidade que literalmente
incendeia. Os pássaros, que num primeiro momento não agradou a crítica, talvez
por não saber enquadrá-lo, com o passar dos anos virou um filme de culto,
recebendo várias explicações ambientalistas e até mesmo psicanalíticas para o triangulo
formado por Mitch, Melanie e Lydia. Seu final sem um “The end”, que deixou boa
parte da platéia desconfortável, foi mais uma das ousadias implementadas por
Hitchcock neste que é considerado por muita gente, um de seus melhores filmes.
Os Pássaros (1963)
Alfred Hitchcock
19 abril - O congresso futurista (2013) - Ari Folman
Robin Wright interpreta ela
mesma, como uma atriz problemática, com dificuldades de escolher bons papéis e
com a carreira em declínio. Neste contexto recebe uma última oferta de
Hollywood: Vender sua imagem, através de alta tecnologia, criando uma atriz
digital idêntica a ela, para que os estúdios a usem em filmes escolhidos por
eles. Robin tem um filho, Aron, que necessita de cuidados especiais, por estar
perdendo a visão e a audição e uma filha adolescente, que a estimula na
carreira. Sem muitas saídas, Robin Wright aceita ser escaneada numa última
representação, sabendo que não poderá atuar novamente outra vez. Passados 20
anos, quando seu personagem digital já ganhou muita fama, Robin é a convidada com
participação de honra, no Congresso Futurista, evento promovido pela indústria
de entretenimento, onde será lançada uma nova droga que permite a qualquer um
ser quem quiser.
O congresso futurista é mais uma inquietante
de Folman que coloca em discussão limite entre realidade e ilusão. A partir da
entrada da atriz no tal Congresso, o filme vira uma animação lisérgica,
repletas de referencias ao universo pop, porém o futuro retratado por Folman é
sombrio na medida em que este mundo glamoroso, colorido e virtual, simbolizando
toda a possibilidade de felicidade humana acessada pela droga química, é a única
saída e possibilidade de utopia de uma sociedade não virtual, falida sob o
ponto de vista econômico e social.
O Congresso Futurista (2013)
Ari Folman
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