O agente secreto Lemmy Caution,
disfarçado de jornalista, foi enviado a cidade futurista de Alphaville com o
objetivo de convencer o professor Van Braun a voltar a sua terra natal ou matá-lo,
caso de recuse. Van Braun criou o super computador Alpha 60, que domina e
controla a cidade e seus habitantes de forma cruel e implacável. Em Alphaville
os sentimentos foram abolidos, as mulheres são meros objetos, a bíblia é um
dicionário que passa por constantes alterações excluindo palavras em que o
significado liberte o povo da opressão e onde quem não se aliena ou não se
enquadra nas rígidas normas impostas pelo onipresente Alpha 60, é executado ou
colocado em hospitais pra recuperação. Em sua empreitada pela cidade, o
detetive recebe o auxilio de Natasha, a filha do professor, que lhe serve como
um guia.
Godard apresenta uma visão
sombria do futuro, sua Alphaville está longe do clichê das representações
futuristas vistas em vários filmes de temática SI-FI, talvez por adicionar a
este gênero, o clima dos filmes noir. O discurso sobre uma sociedade que se
rende a tecnologia a despeito do sentimento e convívio humano é atual, apesar das
referencias a uma Paris controlada e limitada dos anos sessenta. Mas tal qual
Lemmy Caution em seu diálogo surreal com o computador Alpha 60, Godard, melhor
do que ninguém sabe que é a poesia que pode fazer a diferença e transformar
trevas em luz.
Alphaville (1965)
Jean Luc-Godard

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