Desfalecida e com marcas de
agressão, Joe (a ninfomaníaca) é encontrada num beco por Selligman, um pacato
senhor de meia idade que decide ajudá-la. No apartamento de Selligman, enquanto
é amparada por ele, Joe conta sua estória de sexo e violência desde a infância
até a fase adulta. Seligman, que é virgem, ouve o luxuriante relato e faz
interessantes associações dos fatos contados com a literatura, pescaria, música,
matemática e religião, criando um estranho clima de entendimento das razões da
personagem, através de um viés psicológico.
Dividido em duas partes, por
conta das quase cinco horas de projeção, o filme mergulha no universo de Joe
através de oito capítulos, que descrevem sua infância e o seu interesse pelo
clitóris, passando pelo primeiro e talvez único orgasmo, a perda da virgindade,
a maternidade frustrada, até as sessões de dominação e a utilização de sua
psicologia sexual em uma máfia de cobradores, já na fase adulta. Apesar das
cenas de sexo explicito e o tom realisticamente soturno e desconfortável que o
diretor costuma dar aos seus filmes, Ninfomaníaca não é pesado. Embora seja
crescente as situações de violência e desespero envolvendo Joe, é somente nos
aproximadamente 40 minutos finais do filme que explode toda a carga de
provocação que só Lars Von Trier poderia conceber.
Ninfomaníaca (2013)
Lars Von Triers

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