O escritor Theodore vive em um
futuro não muito distante, onde apesar da tecnologia de ponta e da alta conectividade
entre pessoas, a solidão e o individualismo tornaram os humanos anti-sociais.
Neste mundo de lapsos entre vida real e virtual, os sentimentos podem ser
encomendados, descritos e enviados sob a forma de anacrônicas cartas, através
do serviço prestado pela empresa em que Theodore trabalha e é um dos mais
brilhantes funcionários. O escritor, em processo de divorcio, ainda procura
entender as razões de sua atual crise melancólica, enquanto rememora os bons
momentos em que viveu casado. Num belo dia, Theodore tem contato com um novo
sistema operacional de ponta, auto nomeado de Samantha, que é programado para
atender as necessidades do usuário e é construído e alimentado por uma
inteligência artificial que rapidamente se adapta e evolui a partir de emoções
e situações cotidianas. Samantha é prestativa, engraçada, conselheira, e mais do que tudo é empatica, preenche
todas as necessidades emocionais de Theodore, mas não tem um corpo físico. Carente,
Theodore logo desenvolve uma paixão, que é correspondida pelo sistema, mas que,
apesar dos esforços de ambos, está fadada a não se concretizar.
Ela é um filme intimista e
delicado sobre o amor na era da conectividade. O futuro retratado por Jonze
apesar de tecnológico flerta com vários elementos retrô, como nas vestimentas
dos personagens, no mobiliário e a fotografia do filme, levemente esmaecida. Mas
além das belas imagens, da trilha sonora delicada e envolvente, a grande
surpresa do filme é a interpretação extremamente convincente de Scarlett Johansson,
como a voz de Samantha, que nos toca, envolve e nos faz torcer pelo impossível
final feliz.
Ela (2013)
Spike Jonze

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