O partido do bandeira negra,
formado somente por crianças, tomou o poder e o Imperador Ketchup estabelece
suas novas leis: todos os adultos, com suas regras morais e educacionais, serão
punidos com humilhações, torturas e morte.
O filme de Shuji Terayama,
underground até osso, apresenta uma fotografia por vezes estourada e em tom
levemente rosado, por onde desfilam cenas controversas em que crianças, assumindo
o papel de adultos, fazem sexo, fumam, andam nuas e simulam torturas bizarras.
Numa das cenas, por exemplo, dois meninos vestidos com roupas militares jogam
ping-pong tendo uma mulher nua e usada como rede de mesa, em outra cena, Ketchup,
completamente nu, é servido sexualmente por três prostitutas.
O Imperador Ketchup foi feito sob
o impacto dos protestos do Maio Francês e da Primavera de Praga, ambos no final
dos anos sessenta, e é um reflexo da liberdade sexual que se anunciava. A
mescla de doses de ingenuidade e libido nas bizarras cenas, dirigidas por
Terayama, um adepto de uma visão naturalista e sem culpa do sexo, cumprem seu
papel de chocar fortemente nosso olhar ocidental do mundo.
Imperador Ketchup (1971)
Shuji Terayama

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